BUSCAPE E BONDFARO

Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

TIRADENTES E O MITO

Tiradentes, o bode expiatório
Laura Pinca

Novos estudos históricos apresentam uma inconfidência mineira diferente daquela que nos narram os livros didáticos.

Embora a historiografia oficial considere a inconfidência mineira (1789) como uma grande luta para a libertação do Brasil, o historiador inglês Kenneth Maxwell, autor de "A devassa da devassa" (Rio de Janeiro, Terra e Paz, 2ª ed. 1978.) que esteve recentemente no Brasil, diz que "a conspiração dos mineiros era, basicamente, um movimento de oligarquias, no interesse da oligarquia, sendo o nome do povo invocado apenas como justificativa", e que objetivava, não a independência do Brasil, mas a de Minas Gerais.

Esses novos estudos apresentam um Tiradentes bem mudado: sem barba, sem liderança e sem glória. Segundo Maxwell, Joaquim José da Silva Xavier não foi senão o "bode expiatório" da conspiração. (op.cit., p. 222) "Na verdade, o alferes provavelmente nunca esteve plenamente a par dos planos e objetivos mais amplos do movimento." (p.216) O que é natural acreditar. Como um simples alferes (o equivalente a tenente, hoje) lideraria coronéis, brigadeiros, padres e desembargadores?

A Folha de S. Paulo publicou um artigo (21-04-98) no qual se comentam os estudos do historiador carioca Marcos Antônio Correa. Correa defende que Tiradentes não morreu enforcado em 21 de abril de 1792. Ele começou a suspeitar disso quando viu uma lista de presença da Assembléia Nacional francesa de 1793, onde constava a assinatura de um tal Joaquim José da Silva Xavier, cujo estudo grafotécnico permitiu concluir que se tratava da assinatura de Tiradentes. Segundo Correa, um ladrão condenado morreu no lugar de Tiradentes, em troca de ajuda financeira à sua família, oferecida pela maçonaria. Testemunhas da morte de Tiradentes se diziam surpresas, porque o executado aparentava ter menos de 45 anos. Sustenta Correa que Tiradentes teria sido salvo pelo poeta Cruz e Silva (maçom, amigo dos inconfidentes e um dos juízes da Devassa) e embarcado incógnito para Lisboa em agosto de 1792.

Isso confirma o que havia dito Martim Francisco (irmão de José Bonifácio de Andrada e Silva): que não fora Tiradentes quem morrera enforcado, mas outra pessoa, e que, após o esquartejamento do cadáver, desapareceram com a cabeça, para que não se pudesse identificar o corpo.

"Se dez vidas eu tivesse, dez vidas eu daria pelo Brasil". Como só tinha uma, talvez Tiradentes tenha preferido ficar com ela.



Para citar este texto:
Laura Pinca - "Tiradentes, o bode expiatório"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=historia&artigo=tiradentes〈=bra
Online, 15/10/2010 às 19:40h

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Definição e Origem

Bode expiatório era um animal apartado do rebanho e deixado só na natureza selvagem como parte das cerimônias hebraicas, o dia da expiação e à época do Templo de Jerusalém. É um termo usado quando alguém leva a culpa por qualquer evento negativo. A busca do bode expiatório é um ato irracional de determinar que uma ou mais pessoas sejam responsáveis pelo problema apresentado.

Esse termo é bastante usado como fonte de propaganda, os judeus no período nazista por exemplo, eram acusados pelo colapso político e econômico da Alemanha. O termo “bode expiatório” é bastante usado hoje para acusar políticos de alguma falcatrua. Eles fazem e desfazem seus “rolos” e depois para se inocentares dizem que são vítimas de bode expiatório.

A expressão começou a ser usada na Bíblia onde Deus disse a Moisés que seu irmão mais velho deveria sacrificar um bode para pagar seus pecados e do povo de Israel. Na teologia cristã, o bode expiatório é interpretado como uma prefiguração simbólica do auto-sacrifício de Jesus que chama a si os pecados da humanidade.

sábado, 17 de julho de 2010

Dunda o Bode expiatório



O Dunga nunca foi o treinador mais querido do Brasil. Eu mesmo nunca dei lá muita atenção ao trabalho dele. Mas um coisa que ele é, e muito, é injustiçado. Desde que assumiu a Seleção, em 2006, a imprensa canta a cabeça dele na bandeja. E nisso eu prestei atenção: é uma injustiça.

Agora, durante a Copa, ele é o assunto da semana porque deu uma carcada num jornalista. Aí de repente o mundo caiu. Coitadinhos dos jornalistas! Que treinador mal educado e ignorante! Como ele ousa “usar de ironia”? Li na Folha de São Paulo que o Tadeu Schimidt (apresentador dos esportes no Fantástico) choramingou (vídeo abaixo) que o Dunga está apresentando um comportamento incompatível com o de treinador da Seleção Brasileira. Cortem a cabeça!


Lógico que o chilique de pelanca da imprensa (principalmente da Globo) não é por causa desse fato isolado. E lógico que a apelação do Dunga na entrevista de domingo não foi só pelo que aconteceu ali naquela sala. Tudo isso é fruto de um processo contínuo de birra, por parte da imprensa, e de agressividade defensiva, por parte do Dunga. E a verdade é que a Globo é puta com o capitão do tetra, porque desde que ele assumiu o escrete canarinho, a emissora não tem mais privilégios para com a Seleção, como tinha desde então.

Ora, vejamos: quantas vezes você viu, fora as coletivas, o Dunga dando entrevistas exclusivas à Globo? Eu não sei quantas ele deu, mas sei que, se não zero, estas são raríssimas. Ainda mais nos últimos dois anos. Dunga se fechou à toda imprensa brasileira, e só dava entrevistas a veículos estrangeiros, como forma de evitar que as especulações atrapalhassem seu trabalho. Agora, lembre-se: como foi a participação do Globo na Copa de 2006? Foi assim: a Fátima Bernardes ficou concentrada junto com a Seleção. Tinha entrevista toda hora. Ela estava com eles nas rodas de pagode, nas feijoadas, nas fofocas, nas sessões de fotos, faltava jogar o rachão com eles, entrevistar eles ao vivo dentro do vestiário, com pautas do tipo: “Olha gente, o Robinho me confessou que tem uma superstição! Ele só lava o saco do lado esquerdo em dia de jogo! (e a câmera mostra o Robinho ensaboando a bolsa escrotal)”.

Na Copa do Dunga, ao contrário, treino do Brasil é privado. Bobagem? Meus amigos, se vocês quiserem ver um jornalista PUTO, treinem seus times secretamente. Eu me lembro dos caras da Itatiaia (rádio que eu gosto muito) se fazendo de “vítimas”, num dramalhão do cacete, porque um ou outro treinador fechou o treino. Recado pra estes jornalistas: vão procurar o que fazer, seus folgados. O cara tem todo direito de fazer treino fechado, ó caráleo! O elemento surpresa faz parte do futebol, todo mundo sabe disso. E depois, torcedor tem mais o que fazer do que ler notícia de treino. Putz, odeio nêgo folgado!

Pois bem, a carreira do “Dunga treinador” sempre esteve ligada a este tipo de tensão. E eu nem estou contando da tensão da imprensa contra ele enquanto jogador (lebram da “Era Dunga”?). Vocês sabem que a imprensa tem o poder de fazer o bonito virar feio, o feio virar bonito, o cruzeiro virar time, o macho virar viado e o escambau. Então, assim que puderam, já criaram o mito do “Dunga burro”, um prato cheio para o humor rasteiro e barato dos programas de TV (mais rasteiro e mais barato do que o humor que eu pratico neste blog, acredite). O Dunga que aparece nas representações caricatas é um retardado, um cara que não faz ideia do que tá fazendo, alheio e desligado. E quando eu vejo isso, me sinto alienado. Fico pensando “caramba, será que eu perdi os últimos dez jogos do Brasil?” Bom, só pra relembrar, das competições que ele disputou até hoje, ele ganhou todas: Copa América, Copa das Confederações, Eliminatórias da Copa. O resto foram amistosos, com aproveitamento superior a 80%. O que me leva, logicamente, a concluir que essa postura da mídia nacional se trata de perseguição, de quem tinha privilégios e não tem mais, e que agora usa os expedientes mais baixos para denegrir a imagem do cara. E eu não gosto de injustiça. Eu sou tão, mas tão avesso à injustiça, que isso me faz tomar o partido do injustiçado.

Por isso, eu não vou deixar de valorizar um cara que corta o oba-oba dessa seleção que um dia virou circo. Que proíbe o chato do Robinho de criar “dancinhas” pra comemorar gol, e exige dele apenas a eficiência do futebol fora-de-série que ele tem. Que monta uma seleção competitiva e coerente com o trabalho que desenvolve desde 2006 (mesmo sem Tardelli). Que barrou figurões, como Adriano e Ronaldinho Gaúcho, que só queriam tocar o terror nas boates da África. Que não aceita intromissão em seu trabalho quando quiseram empurrar Ganso e outros fantarrões. E que coloca a “Fatinha Boca-Torta do Jornal Nacional” em seu devido lugar, ou seja, fora da concentração. O Dunga é focado e quer ganhar a Copa. É só isso que ele quer. Não quer fazer bunda-lêlê pra jornalista ganhar ibope. Mas o cara não tem sossego! Lógico que, uma hora, ele ia explodir. E quer saber? Foi pouco. Eu teria mandado logo tomar no cu, e jogado o microfone na cabeça daquele retardado. Pronto. Era isso que ele merecia. Nêgo chorão é uma desgraça.

Na boa? Eu não tava vendo a Copa como torcedor. Sou Atleticano, só torço e vibro de verdade pelo Galo (pela Seleção, a última vez que o fiz de verdade foi em 94. Mas 2002 valeu pela farra.) De domingo passado em diante, torço fervorosamente pela seleção do Dunga. Quero que alguns jornalistas voltem da África com um trofeuzão dourado bem enterrado naquele lugar deles. Quero ver ele dar a entrevista final: “quem é burro agora”?

Afinal, quem é o bode expiatório?

Alvo favorito dos zombeteiros, o bode expiatório recebe as culpas pelos erros dos outros


O tema é recorrente: a professora chama a atenção de um aluno por causa de alguma estripulia na sala de aula e a primeira coisa que ele responde é "não fui eu". Então, a culpa da bagunça recai sobre aquele estudante que geralmente é mais ingênuo ou menos popular da turma. São em momentos como este que os bodes expiatórios costumam a aparecer.

O bode expiatório é alvo favorito dos zombeteiros e daqueles que querem fazer alguém se submeter ao ridículo, recebendo arbitrariamente as culpas pelos erros dos outros, explica o escritor e professor Ari Riboldi no livro O bode expiatório - Origem de palavras, expressões e ditados populares com nomes de animais.

Usar alguém de bode expiatório é jogar doses de ódio, revés e frustração sobre uma pessoa, acusando-a injustamente no lugar do verdadeiro culpado. Em muitos casos, o próprio escolhido é incapaz de perceber que está sendo vítima.

O professor de Língua Portuguesa e Literatura em Porto Alegre (RS), informa que a expressão teve origem em um ritual anual da tradição judaica, chamado de Dia da Expiação (Iom Kippur, em hebraico), que pode ser lido no capítulo 16 do Levítico, livro do Antigo Testamento da Bíblia.

Sacerdotes levavam dois bodes ao templo de Jerusalém para que um deles fosse escolhido, em sorteio, para ser sacrificado e queimado junto com um touro no altar dos sacrifícios. O sangue de ambos era colocado nas paredes do templo.

O outro animal, livrado do sacrifício, tornava-se o bode expiatório, que virava um símbolo de purificação e expiação dos pecados e culpas. O sacerdote colocava as mãos sobre a cabeça do bode para confessar todos os pecados de Israel. Em seguida, o povo também depositava os seus erros no animal, que depois era abandonado ao relento no deserto. Dessa forma, acalmava-se o demônio e o povo ficava livre dos males cometidos.

Ao longo da história, diversos bodes expiatórios surgiram, variando de acordo com o local e o período. Entre eles, os hereges, índios, negros, judeus, deficientes, homossexuais, pobres, imigrantes, comunistas, bruxas, leprosos, ciganos e nordestinos brasileiros. "Em geral as minorias são usadas como bode expiatório, pois são grupos mais 'fracos'".

Para Riboldi, a história da humanidade é rica em exemplos de dominantes que escolheram os mais fracos e indefesos para pagarem o pato, encobrindo os verdadeiros propósitos, que eram suas ganâncias e ambições. "Na história do Brasil, por exemplo, o caso clássico foi a morte de Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes." Ele foi o único a assumir toda a responsabilidade pela Inconfidência, inocentando seus companheiros, sendo executado e esquartejado.


Bode expiatório era um animal apartado do rebanho e deixado só na natureza selvagem como parte das cerimônias hebraicas, o dia da expiação e à época do Templo de Jerusalém. É um termo usado quando alguém leva a culpa por qualquer evento negativo. A busca do bode expiatório é um ato irracional de determinar que uma ou mais pessoas sejam responsáveis pelo problema apresentado.

Esse termo é bastante usado como fonte de propaganda, os judeus no período nazista por exemplo, eram acusados pelo colapso político e econômico da Alemanha. O termo “bode expiatório” é bastante usado hoje para acusar políticos de alguma falcatrua. Eles fazem e desfazem seus “rolos” e depois para se inocentares dizem que são vítimas de bode expiatório.

A expressão começou a ser usada na Bíblia onde Deus disse a Moisés que seu irmão mais velho deveria sacrificar um bode para pagar seus pecados e do povo de Israel. Na teologia cristã, o bode expiatório é interpretado como uma prefiguração simbólica do auto-sacrifício de Jesus que chama a si os pecados da humanidade.

Bode expiatório


O bode expiatório de William Holman Hunt.

O bode expiatório era um animal que era apartado do rebanho e deixado só na natureza selvagem como parte das cerimôniashebraicas do Yom Kippur, o Dia da Expiação, a época do Templo de Jerusalém. Este rito é descrito na Bíblia em Levítico, capítulo 16.


Na Torá

Dois bodes eram levados, juntamente a um touro, ao lugar de sacrifício, como parte dos Korbanot do Templo de Jerusalém. No templo os sacerdotes sorteavam um dos bodes. Um era queimado emholocausto no altar de sacrifício com o touro. O segundo tornava-se o bode expiatório, pois o sacerdote punha suas mãos sobre a cabeça do animal e confessava os pecados do povo de Israel. Posteriormente, o bode era deixado ao relento na natureza selvagem, levando consigo os pecados de toda a gente, para ser reclamado pelo anjocaído Azazel.


A visão cristã

Na teologia cristã, a história do bode expiatório no Levítico é interpretada como uma prefiguração simbólica do auto-sacrifício deJesus, que chama a si os pecados da Humanidade, tendo sido expulso da cidade sob ordem dos sacerdotes.


Sentido figurado do termo

Em sentido figurado, um "bode expiatório" é alguém que é escolhido arbitrariamente para levar (sozinho) a culpa de uma calamidade, crime ou qualquer evento negativo (que geralmente não tenha cometido). A busca do bode expiatório é um ato irracional de determinar que uma pessoa ou um grupo de pessoas, ou até mesmo algo, seja responsável de um ou mais problemas sem a constatação real dos fatos.

A busca do bode expiatório é um importante instrumento de propaganda. Um clássico exemplo são os judeus durante o períodonazista, que eram apontados como culpados pelo colapso político e pelos problemas econômicos da Alemanha.

Os grupos usados como bode expiatórios foram (e são) muitos ao longo da História, variando de acordo com o local e o período. Os negros, os imigrantes, os comunistas, os capitalistas, os americanos, a Igrejia Católica, as igrejias nao católicas, os "nordestinos no Brasil", as "bruxas", as mulheres, os pobres, os judeus, os leprosos, os homossexuais, os deficientesfísicos e/ou mentais, os ciganos etc.

Atualmente, o uso de bodes expiatórios é cada vez mais combatido e, quanto esta tendência é levada ao seu extremo, podem ser criadas regras sociais de controle da linguagem, como no caso do politicamente correto.

De forma alternativa, a expressão "boi de piranha" tem esse mesmo sentido.