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sábado, 17 de julho de 2010

Dunda o Bode expiatório



O Dunga nunca foi o treinador mais querido do Brasil. Eu mesmo nunca dei lá muita atenção ao trabalho dele. Mas um coisa que ele é, e muito, é injustiçado. Desde que assumiu a Seleção, em 2006, a imprensa canta a cabeça dele na bandeja. E nisso eu prestei atenção: é uma injustiça.

Agora, durante a Copa, ele é o assunto da semana porque deu uma carcada num jornalista. Aí de repente o mundo caiu. Coitadinhos dos jornalistas! Que treinador mal educado e ignorante! Como ele ousa “usar de ironia”? Li na Folha de São Paulo que o Tadeu Schimidt (apresentador dos esportes no Fantástico) choramingou (vídeo abaixo) que o Dunga está apresentando um comportamento incompatível com o de treinador da Seleção Brasileira. Cortem a cabeça!


Lógico que o chilique de pelanca da imprensa (principalmente da Globo) não é por causa desse fato isolado. E lógico que a apelação do Dunga na entrevista de domingo não foi só pelo que aconteceu ali naquela sala. Tudo isso é fruto de um processo contínuo de birra, por parte da imprensa, e de agressividade defensiva, por parte do Dunga. E a verdade é que a Globo é puta com o capitão do tetra, porque desde que ele assumiu o escrete canarinho, a emissora não tem mais privilégios para com a Seleção, como tinha desde então.

Ora, vejamos: quantas vezes você viu, fora as coletivas, o Dunga dando entrevistas exclusivas à Globo? Eu não sei quantas ele deu, mas sei que, se não zero, estas são raríssimas. Ainda mais nos últimos dois anos. Dunga se fechou à toda imprensa brasileira, e só dava entrevistas a veículos estrangeiros, como forma de evitar que as especulações atrapalhassem seu trabalho. Agora, lembre-se: como foi a participação do Globo na Copa de 2006? Foi assim: a Fátima Bernardes ficou concentrada junto com a Seleção. Tinha entrevista toda hora. Ela estava com eles nas rodas de pagode, nas feijoadas, nas fofocas, nas sessões de fotos, faltava jogar o rachão com eles, entrevistar eles ao vivo dentro do vestiário, com pautas do tipo: “Olha gente, o Robinho me confessou que tem uma superstição! Ele só lava o saco do lado esquerdo em dia de jogo! (e a câmera mostra o Robinho ensaboando a bolsa escrotal)”.

Na Copa do Dunga, ao contrário, treino do Brasil é privado. Bobagem? Meus amigos, se vocês quiserem ver um jornalista PUTO, treinem seus times secretamente. Eu me lembro dos caras da Itatiaia (rádio que eu gosto muito) se fazendo de “vítimas”, num dramalhão do cacete, porque um ou outro treinador fechou o treino. Recado pra estes jornalistas: vão procurar o que fazer, seus folgados. O cara tem todo direito de fazer treino fechado, ó caráleo! O elemento surpresa faz parte do futebol, todo mundo sabe disso. E depois, torcedor tem mais o que fazer do que ler notícia de treino. Putz, odeio nêgo folgado!

Pois bem, a carreira do “Dunga treinador” sempre esteve ligada a este tipo de tensão. E eu nem estou contando da tensão da imprensa contra ele enquanto jogador (lebram da “Era Dunga”?). Vocês sabem que a imprensa tem o poder de fazer o bonito virar feio, o feio virar bonito, o cruzeiro virar time, o macho virar viado e o escambau. Então, assim que puderam, já criaram o mito do “Dunga burro”, um prato cheio para o humor rasteiro e barato dos programas de TV (mais rasteiro e mais barato do que o humor que eu pratico neste blog, acredite). O Dunga que aparece nas representações caricatas é um retardado, um cara que não faz ideia do que tá fazendo, alheio e desligado. E quando eu vejo isso, me sinto alienado. Fico pensando “caramba, será que eu perdi os últimos dez jogos do Brasil?” Bom, só pra relembrar, das competições que ele disputou até hoje, ele ganhou todas: Copa América, Copa das Confederações, Eliminatórias da Copa. O resto foram amistosos, com aproveitamento superior a 80%. O que me leva, logicamente, a concluir que essa postura da mídia nacional se trata de perseguição, de quem tinha privilégios e não tem mais, e que agora usa os expedientes mais baixos para denegrir a imagem do cara. E eu não gosto de injustiça. Eu sou tão, mas tão avesso à injustiça, que isso me faz tomar o partido do injustiçado.

Por isso, eu não vou deixar de valorizar um cara que corta o oba-oba dessa seleção que um dia virou circo. Que proíbe o chato do Robinho de criar “dancinhas” pra comemorar gol, e exige dele apenas a eficiência do futebol fora-de-série que ele tem. Que monta uma seleção competitiva e coerente com o trabalho que desenvolve desde 2006 (mesmo sem Tardelli). Que barrou figurões, como Adriano e Ronaldinho Gaúcho, que só queriam tocar o terror nas boates da África. Que não aceita intromissão em seu trabalho quando quiseram empurrar Ganso e outros fantarrões. E que coloca a “Fatinha Boca-Torta do Jornal Nacional” em seu devido lugar, ou seja, fora da concentração. O Dunga é focado e quer ganhar a Copa. É só isso que ele quer. Não quer fazer bunda-lêlê pra jornalista ganhar ibope. Mas o cara não tem sossego! Lógico que, uma hora, ele ia explodir. E quer saber? Foi pouco. Eu teria mandado logo tomar no cu, e jogado o microfone na cabeça daquele retardado. Pronto. Era isso que ele merecia. Nêgo chorão é uma desgraça.

Na boa? Eu não tava vendo a Copa como torcedor. Sou Atleticano, só torço e vibro de verdade pelo Galo (pela Seleção, a última vez que o fiz de verdade foi em 94. Mas 2002 valeu pela farra.) De domingo passado em diante, torço fervorosamente pela seleção do Dunga. Quero que alguns jornalistas voltem da África com um trofeuzão dourado bem enterrado naquele lugar deles. Quero ver ele dar a entrevista final: “quem é burro agora”?

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